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Coisinhas.
Complicadas e tão simples. Pequenininhas e aparentemente inofensivas. Coisinhas que já passaram mas que continuam martelando na nossa cabeça. Coisinhas que ficam indo e vindo, indo e vindo. Coisinhas que ditas ficam ainda menores, no mas no pensamento são gigantes. Coisinhas que você diz em tom de brincadeira e despreocupação pra não parecer que você se preocupa com…coisinhas. Coisinhas bobas. Coisinhas que a gente finge que não ouviu nem viu pra não parecer que temos neuroses. Coisinhas que a gente daria de tudo pra esquecer mesmo que ninguém se lembre. Coisinhas que não fazem sentido e ninguém se importa, porque são apenas coisinhas. Coisinhas que fazem toda a diferença.
Coisinhas que tiram o sono. Tiram a concentração. Distraem até o fim.
Coisinhas tão pequenas que ocupam um espaço extraordinariamente, absurdamente grande.
Desconhecido.
Eu sinto saudades. Muitas.
Mas aí a gente muda o ângulo da câmera, e percebe que sempre deu mais atenção do que recebeu atenção, sempre disse mais do que ouviu, sempre se preocupou mais do que foi alvo de preocupação, sempre deu mais satisfação do que recebeu satisfação.
E isso tá errado, porque amizade tem que ser uma coisa equilibrada.
Eu acho que eu não sei mais quem você é. Na verdade, acho que eu nunca soube.
Gelo.
Fico feliz porque apagou-se o fogo. Costumava ser incontrolável.
O fogo arde. Queima tudo, queima seu corpo, sua mente, sua alma. Te consome inteiro, mas sem matar; aliás, tirando o fato de que não inicia espontaneamente, funciona exatamente como uma droga altamente nociva. Você sabe o quanto te enfraquece, o quanto te debilita, mas não consegue deixar de se encantar com os efeitos.
Sim, encantamento. O fogo é ardiloso, sabe o que te atrai, o que mexe com sua cabeça, o que você não pode evitar de gostar. Coloca no seu caminho tudo isso, enquanto te incendeia. Te aquece, enquanto te queima. Como apagar algo que agrada? O fogo te deixa feliz. O fogo vira vício.
E aí você já perdeu a cabeça. Já perdeu a razão. Já perdeu seus princípios e a sua moral. O fogo não tem dó de você. Ele muda todo seu interior, da cabeça aos pés, se for necessário. Brinca perigosamente com o que você chama de racionalidade.
Consegue ser simultaneamente a maior das felicidades e a maior das desgraças. Achei que ele nunca fosse sair de dentro de mim.
Mas saiu. Não sei como.
Não sei se a esperança morreu,
não sei se eu cresci,
não sei como foi que eu recobrei a razão.
Só sei que, aos poucos, senti a chama morrer. Começou a sair fumaça, começou a ficar mais frio, aí um dia tudo congelou. A mente e a alma. Aquela felicidade louca, quente, forte, insana, tinha sumido. Pra tristeza do meu coração, pro bem do meu cérebro.
A dor tinha sumido também.
Alguma coisa involuntária e saudável aconteceu, apagou o fogo. Me deixou estável de novo. Me trouxe de volta à terra.
Eu não estava pronta pro fogo. Ele percebeu isso, e me abandonou. Saiu de mim.
Mas saiu com tanta força, que agora eu virei gelo.
Maldita internet.
Uma forma extremamente ruim de compensar a solidão e uma péssima imitação da presença humana. Mas nós caímos nessa. Um grande vício coletivo.
A gente simplesmente se sente sozinho,
e aí liga a internet,
e acha que se sente melhor,
e acha que está fazendo algo útil,
e acha que está em movimento,
e acha que está substituindo um sorriso verdadeiro, uma conversa, um abraço,
e acha que está resolvendo a vida,
e acha que está perto dos amigos,
e acha que que está se mantendo atualizado,
e acha que está sendo feliz.
Mas na verdade nós, apenas,
estamos nos sentindo piores,
perdendo nosso tempo,
completamente inertes,
digitando risadas falsas, palavras vazias, corações padronizados,
criando problemas,
sozinhos,
imbecilmente alienados,
com o coração e a mente vazios. Sem felicidade verdadeira.
Uma alegriazinha que não chega aos pés da realidade.
Contato humano não tem como ser modernizado. Não tem como substituir.
Mas nós gostamos de nos enganar, todos os dias.
Com essa maldita internet.
Q:Saudades de textos seus por aqui... Espero que tudo dê certo nesse ano, pra você e pra Mona! Pelo menos na parte "material" (vestibular e afins)... Quanto ao resto, não é coisa que se solucione em um ano...Ou que se solucione enfim, não é mesmo? A graça da vida é a viagem em si... Beijo!
Aaah, obrigada, de verdade! E sim, falou certinho, a graça é mesmo a viagem, e o negócio agora é deixar as coisas correrem sem planejar demais, porque se preocupar demais não dá, né? Esse não é ano pra se perder a cabeça, hahaha.
E um ótimo ano pra você também (:
É que são só emoções fortes! Medos e ciúmes e dores e sorrisos e pressões e mágoas e saudades e amor e indiferença e preocupação e saídas e amigos e responsabilidades e família e estudos e provas e vestibular e músicas e novidades e pessoas e escolhas e decisões e lágrimas e consequências e diferenças e mais um milhão de coisas que a gente não está acostumado a lidar, e que viram uma bola de neve gigante mesmo o ano mal ter começado, e o pensamento que não consegue parar um segundo sequer de funcionar, e o horrível fato de que estamos crescendo e o tempo está passando, tudo isso gira gira o tempo todo na minha mente…
que mal dá tempo de respirar e… e… e eu não consigo nem colocar um ponto final, eu mal consigo definir o que eu preciso, o que eu quero o que me importa, o que é pra ser temporário e o que é pra ser permanente…
Bem do jeito que você é.
Todas as pessoas que mais me atraem, todas os sorrisos que mais me encantam, todas as risadas que mais contagiam, todas as palavras que mais cativam, são sempre tão…naturais. Chegam sempre daquelas pessoas brilhantes que nunca se esforçam pra ser; apenas são. Apenas fazem as coisas como elas se encaixam, como elas gostam, como elas querem.
Nada mais bonito do que brilhar por si mesmo. Do que se sentir à vontade, do que estar em paz com o corpo e a mente, do que ser o que se é sem ter medo, sem ter vergonha, sem ter que provar nada pra ninguém. Nada mais bonito do que transbordar sua verdade.
Se aceitar assim pode ser mais simples do que parece; É que às vezes falta confiança, falta coragem; às vezes falta respeitar os próprios defeitos. Mas, de verdade, ser natural…É o melhor que você pode ser.
Então tira as máscaras, mostra a essência. Mostra, sim, que beleza natural anda em falta. Anda muito escondida.
Ser você mesmo é tão lindo.
Simples.
Só se vive uma vez.
E é por isso que eu não preciso e crises existenciais. De sentimentos complexos. De preocupações, de pensamentos a longo prazo, de arrependimentos. Porque um dia tudo isso acaba, um dia eu não existo mais, e nada disso vale a pena.
Me deixa ser feliz com as pessoas que eu amo, me deixa sorrir ao ver a natureza, me deixa tentar fazer da vida dos outros a mais feliz possível; é isso que dá pra fazer, é o melhor que dá pra fazer.
E aproveitar enquanto minhas responsabilidades não crescem, meus sorrisos não falham, minha ignorância é saudável. Quem precisa de opiniões? Quem precisa de soluções? Quem precisa de qualquer outra coisa que não seja felicidade? É só ser feliz. E deixar os outros serem felizes, que egoísmo também não leva a lugar nenhum. E dá pra ser ainda mais feliz com isso.
É tudo muito simples. Então, para, para de se preocupar. Vai lá e seja você. Sim, já disse isso mil vezes, vai lá ser feliz, vai lá ser criança.
Porque só se vive uma vez.
Secreto.
Amo
passivamente.
Sinto ciúmes
passivamente.
Agrido
passivamente.
Sofro
passivamente.
Me preocupo
passivamente.
Cuido
passivamente.
Sinto tudo isso, mas só com meu
pensamento.
Passiva. Emoções sempre passivas.
Porque palavras não descreveriam.
Porque às vezes, é segredo.
Peão preso.
Já se sentiu uma peça dispensável no jogo? Como um peão preso, encurralado em um tabuleiro de xadrez. Livre de ameaças, mas sem qualquer repercurssão prática. Não incômodo, quase agradável; mas sim, completamente dispensável. Não faz falta. Não faz diferença. Só completa o tabuleiro, mais nada além disso. As outras peças até o reconfortam dizendo “o que realmente vale é a intenção”. Mas elas sabem que não faz diferença, você sabe que não faz diferença. Não é ruim, mas também não é bom. Não é necessário, não melhora. Não é…Nada de especial.
É, um peão preso. Louco pra salvar, pra melhorar, pra trazer felicidade. Louco pra virar rainha. No entanto, sempre preso, mudo, distante, indiferente, passivo. Angustiadamente passivo. Eu não faço diferença aqui. Protejo, mas quem sente minha proteção? Amo, mas quem sente meu amor? Vivo, mas quem sente meu viver?
Ninguém…
Ninguém se importa com um peão preso.
Minhas palavras.
Palavras nunca me desapontam. Elas sempre fazem o que eu mando, sempre dizem o que eu preciso. Sempre colocam as coisas do meu jeito. Palavras sempre transmitem minha realidade, quando eu não consigo transmitir. Sempre fingem uma realidade, quando eu não consigo fingir.
Elas são minhas. E nunca estão erradas. Às vezes eu estou errada, eu, e não elas. Elas apenas cumprem seu papel, como elas são. Palavras salvam sentimentos. Palavras salvam raciocínios.
Às vezes, palavras são melhores do que gente.
Eles não precisam mais de mim.
Machuca um pouco, dá saudades, sim. Mas por outro lado, eu sorrio por não estar fazendo falta. Só confirma o que eu sempre temi, e eu adoro ter razão. E talvez eu também esteja melhor assim. Obviamente eu sinto falta, muita falta, mas agora existem pessoas que realmente me querem por perto. Isso sim, é algo que eu achava que nunca ia acontecer; e nesse ponto, eu gostei de estar errada.
Eles nunca deveriam ter me subestimado. Mas devo dizer, obrigada por terem me consumido e machucado tanto. Graças à isso, estou mais forte do que todos vocês. Com marcas grandes, medos grandes que às vezes ameaçam desmoronar; mas com certeza, estou mais forte.
E a vida segue, com vocês ou sem vocês.
Antes de dormir.
Quer coisa mais verdadeira e sincera do que os pensamentos antes de dormir? Tudo faz mais sentido. A tristeza inexplicada encontra suas razões, a felicidade momentânea transforma-se em duradoura. A melancolia da existência entra em cena.
E a gente encontra todos os nossos defeitos, todas nossas qualidades. E repassa o dia com mais maturidade. Flashbacks consomem nosso tempo, detalhes passam a fazer diferença. Arrependimentos tomam conta, sorrisos preenchem os lábios. Tudo fica mais claro. Tudo ganha solução. Tudo pode ser resolvido na manhã seguinte.
Dormimos. Acordamos. E então…Quais eram as soluções mesmo? Já me esqueci. Que soluções idiotas, pensei tudo errado. Nada disso vai dar certo.
Dormir. Acordar.
Com quantas pessoas você consegue ser você mesmo?