Não quero pensar, não quero fazer planos, não quero criar expectativas. Quero apenas que os dias passem.
(via victorfalves)
Coisinhas.
Complicadas e tão simples. Pequenininhas e aparentemente inofensivas. Coisinhas que já passaram mas que continuam martelando na nossa cabeça. Coisinhas que ficam indo e vindo, indo e vindo. Coisinhas que ditas ficam ainda menores, no mas no pensamento são gigantes. Coisinhas que você diz em tom de brincadeira e despreocupação pra não parecer que você se preocupa com…coisinhas. Coisinhas bobas. Coisinhas que a gente finge que não ouviu nem viu pra não parecer que temos neuroses. Coisinhas que a gente daria de tudo pra esquecer mesmo que ninguém se lembre. Coisinhas que não fazem sentido e ninguém se importa, porque são apenas coisinhas. Coisinhas que fazem toda a diferença.
Coisinhas que tiram o sono. Tiram a concentração. Distraem até o fim.
Coisinhas tão pequenas que ocupam um espaço extraordinariamente, absurdamente grande.
(via licawan)
Isolada.
Agora? Não quero estudar, não quero comer, não quero tomar banho. Não quero fazer as coisas que eu tenho que fazer.
Quero um abraço. Que dure a noite toda. Um abraço de qualquer alguém que eu ame muito. Só um abraço, daqueles bem fortes e demorados, acompanhado de uma voz reconfortante. Uma voz que me diga com calma e carinho que eu preciso acreditar mais em mim. Que me diga que amanhã, quando eu acordar, todas as pessoas especiais que sumiram, mudaram, se afastaram e foram embora vão estar de volta na minha vida, como antes. Que diga também que as pessoas especiais que já estão por perto se importam e vão ficar comigo pra sempre. Que diga que eu estou me colocando pra baixo por besteira. Que diga que eu preciso parar de ter tanto medo do futuro. Que me diga que amanhã vou acordar, renovada, e vou conseguir encontrar toda a organização e foco que eu preciso. Que diga que eu sou linda assim, de verdade, do jeito que eu sou. Que diga que eu vou ser feliz no caminho que eu escolher. Que me faça perceber o quanto eu já sou feliz, que eu preciso só parar de pensar nos problemas e pensar nas coisas.
Simplesmente um abraço, irreal assim mesmo, mas um abraço. Que faça com que todas essas preocupações desgastantes saiam de uma vez por todas da minha cabeça, que tire todo o meu cansaço acumulado, que me faça sentir tão protegida quanto confiante. E que me faça acordar pronta pra encarar os dias que vierem com um sorriso sincero e corajoso no rosto.
Mas agora preciso comer. Preciso tomar meu banho. Preciso estudar. Preciso fazer todas essas coisas que eu tenho que fazer. Sozinha, mais uma vez, sozinha.
(engraçado que eu sempre me esforcei pra ser sozinha. independente. e agora, pelas ironias da vida, sinto tudo ao contrário.)
Grande.
Sete bilhões de pessoas no mundo tão exatamente iguais. Completamente diferentes em suas vidas, mas todas vivendo. Desejando viver.
E todas vão morrer.
Quanto dura uma vida? Quanto vale uma vida? O que sabemos, além de que um dia vamos morrer? Nada. Vivemos pouco, somos um nada. Mas queremos. Vida. Vida. Vida. Mesmo sabendo da morte, queremos vida.
E, se vou morrer, deveria me contentar com a simples noção de existir. Por simples noção de existir, entenda, ser um humano sociável. Por ser um humano sociável, entenda, crescer, trabalhar, casar, procriar, se aposentar, morrer. Simples. Estamos todos tentando ser seres humanos sociáveis, não é? É o desejo colocado em nossas cabeças desde… sempre. Parece que é desde sempre.
Viver, ser feliz, morrer. Eu não consigo me contentar com isso. Queria algo maior. Queria fazer a diferença.
Mas sou só uma em sete bilhões, insignificante e simples. Pequena.
Amor talvez seja apenas uma questão de hábito.
Na medida que me incomoda, também me faz feliz. Suficientemente feliz.
Certeza.
E por mais que às vezes eu deixasse em segredo, eu sempre tive coragem suficiente pra admitir qualquer sentimento pra mim mesma. E qualquer pensamento. Qualquer desejo, qualquer medo, qualquer vontade. Talvez eles fossem errados, incorretos, imorais, inaceitáveis. Então eu não dizia, mas eu sabia. Eu nunca permiti me enganar, eu nunca me permiti não saber as coisas que existiam dentro de mim. Pensamento, sentimento.
Isso significa que, caso eu te amasse, talvez eu não te dissesse. Nem pra você, nem pra ninguém. Mas eu saberia, ah, eu saberia, com toda a certeza desse mundo, por mais que fosse mais cômodo mentir pra mim mesma. Eu sequer tentaria me enganar de qualquer forma. Porque eu sempre estabeleci um compromisso com a verdade interior. Já admiti coisas estranhíssimas, de verdade. Quase irracionais.
E agora não entendo porque chegar na verdade está tão difícil.
Já passei por isso antes, mas antes eu conseguia admitir. Será que é por isso que dói mais? Será que é por isso que eu quero evitar pensar na simples possibilidade de ter mudado meus pontos de vista em ralação ao mundo… Meus pontos de vista em relação a você? Será que eu perdi a dignidade de sofrer em silêncio? Não consigo aceitar, não consigo admitir, deve que ser outra coisa, tem de ser outra coisa.
Mas não adianta, e flashs entram na minha cabeça sem pedir licença, todos os dias, e me fazem lembrar de coisas que não deveriam ser lembradas, não com essa frequência. E eu me pergunto até que ponto isso é normal. Até que ponto isso não muda (mais ainda) o que eu penso.
Uma verdadeira confusão sem sentido e sem final.
Uma briga interior diária. Indireta e incompleta.
E eu não consigo encontrar uma resposta. Ou talvez, eu simplesmente não quero encontrar uma resposta.
Sim, talvez eu esteja mais feliz sem saber. E isso é novidade.
cansei de coisas temporárias.
Desconhecido.
Eu sinto saudades. Muitas.
Mas aí a gente muda o ângulo da câmera, e percebe que sempre deu mais atenção do que recebeu atenção, sempre disse mais do que ouviu, sempre se preocupou mais do que foi alvo de preocupação, sempre deu mais satisfação do que recebeu satisfação.
E isso tá errado, porque amizade tem que ser uma coisa equilibrada.
Eu acho que eu não sei mais quem você é. Na verdade, acho que eu nunca soube.
Mental e psicológico.
Muita coisa em pouco tempo, e aí escrever fica de lado. Finalmente arrumei uma horinha, reuni coragem. É difícil organizar as ideias, é difícil entender os momentos, é difícil aguentar o tranco sem se alterar, sem ficar tudo uma desordem. Confusão, desequilíbrio. É difícil, mas força, vamos.
A gente tem que se segurar pra não perder a cabeça. Pra não se deixar enlouquecer, sabe? Porque é muita pressão rolando. É o tempo passando rápido demais. É uma quantidade enorme de decisões exigentes a curto prazo. É o nervosismo, é o cansaço. É a sanidade mental querendo fugir. É o estado psicológico caindo e subindo um milhão de vezes por dia. São as pessoas crescendo, são as pessoas mudando.
E eu me sinto tão criança.
Tanta coisa mudou dentro de mim nos últimos três meses que eu nem me dou conta mais. Só dá pra ver o quanto o mundo tá diferente quando se vasculha o passado, as fotos, os textos. A gente cresceu, todo mundo, sem querer. A cabeça é outra, as prioridades são outras. Mudanças pra melhor, mas mudanças pra pior também. Que às vezes dá tristeza de ver.
Reclamando muito, cansando muito. Perdendo a linha hora ou outra, brigando sem razão, se estressando sem motivo. Aliás, com motivo. Mas por motivos errados, misturados, acumulados. Acho que no fundo eu sabia que ia ser assim; mas não sabia que o ritmo ia ser tão louco logo no comecinho. Que ia passar tão rápido e que ia mal dar tempo de respirar.
Nunca foi exigido de mim tanto autocontrole quando nos últimos dias. É preocupação com a escola, comigo mesma, com os outros. É uma verdadeira loucura, que às vezes me faz precisar parar e jogar tudo pro alto. Tocar um pouco de violão, ouvir música, sair com meus amigos, ver minha família e escrever. As coisas que conseguem me prender, que me fazem feliz, que tornam minha correria, nossa correria possível. Estamos indo, sem dar tempo de planejar. Estamos indo, meio empurrados, meio perdidos, mas, pelo menos, juntos. Tenho minhas válvulas de escape, nesse mundo tão insano.
E é só por isso que eu não fico louca. Porque tem a música. Porque tem a escrita. E pra minha sorte insuperável, porque têm vocês.


